Simpaticectomia, pode resolver rubor facial

Quando fala com alguém, tem de fazer uma apresentação em público ou simplesmente quando parece que alguém olha para si, sente um rubor incontrolável na face, que de tão intenso que é, provoca ardor e uma desconfortável sensação de calor? Possivelmente já tentou diversos métodos de controlo da ansiedade e técnicas de alteração comportamental sem quaisquer resultados. Isso é porque o problema não é facilmente controlável, e pode ser necessário recorrer a uma intervenção cirúrgica que o poderá resolver definitivamente - simpatectomia torácica.

Porque coramos nós

SimpaticectomiaTodos coramos normalmente quando estamos nervosos ou perante situações sociais de grande importância. A razão para isso é a activação do sistema nervoso simpático, responsável por preparar o nosso organismo para situações de perigo e stress elevado. Essa preparação passa pelo aumento da pressão sanguínea e do ritmo cardíaco, além do aumento da concentração sanguínea de açúcares e gorduras para maior disponibilidade energética.

Este mecanismo inteligente e complexo acompanha a humanidade desde sempre e é fácil compreender que perante uma situação de perigo, o corpo possua meios de capitalização dos seus recursos energéticos e musculares para o caso de ser necessário lutar ou fugir de um adversário. Ainda não se compreende completamente porque surge o rubor facial, mas estipula-se que será precisamente um resultado dessa hiper-reactividade dos mecanismos de resposta ao stress.

Mas perante estas situações, quando este mecanismo funciona normalmente, é, na grande maioria dos casos, possível aprender a controlá-lo. No entanto, alguns indivíduos são incapazes de o fazer: mesmo quando não se sentem nervosos ou a situação não é percepcionada como importante, o rubor facial instala-se e pode levar a um sentimento de vergonha e desconforto que, gerando mais ansiedade, agrava o flushing facial.

A verdade sobre esta reacção incontrolável é que não se trata de uma questão psicológica que possa ser controlada mentalmente. Estamos perante uma efectiva disfunção do sistema nervoso simpático que se activa excessivamente e cria uma resposta exagerada sobre a qual o indivíduo tem pouco poder. Trata-se efectivamente da mesma sobreactivação que provoca o suor excessivo ou hiperidrose.

A simpatectomia é a única solução?

Como o rubor social pode agravar-se mesmo perante estímulos diminutos e em consequência da nossa percepção de que estamos a corar sem o desejarmos, muitos indivíduos procuram solucionar parte do problema através de terapia comportamental que lhes permita controlar a resposta emocional.

A simpatectomia torácica é o mesmo procedimento cirúrgico que permite curar ou atenuar a hiperidrose das mãos (isto, é, transpiração excessiva) e consiste na interrupção dos sinais nervosos ao longo dos troncos simpáticos, mais especificamente nas suas ramificações torácicas.

O procedimento em si é simples e seguro para o paciente. A intervenção é realizada sob anestesia geral, de um modo minimamente invasivo, por toracoscopia. São realizadas duas incisões, que tipicamente possuem dimensões inferiores a 1cm, na axila. Através de uma das incisões é introduzida a câmara que nos permite ter a visualização da cavidade torácica. Na outra incisão é introduzido o dispositivo que permitirá interromper, por cauteterização, as fibras nervosas. A simplicidade do procedimento, eu implica habitualmente 1 dia de internamento, permite uma rápida recuperação do paciente que pode adoptar a sua vida normal em 3 ou 4 dias.

Apesar da polémica que esta intervenção muitas vezes gera e dos potenciais efeitos adversos, a simpatectomia é altamente eficaz e tem  elevadas taxas de satisfação. Diversos estudos têm estimado melhoria na qualidade de vida em 75% a 90% dos indivíduos num período de vários anos após a intervenção. A recorrência dos sintomas parece não exceder 1% no primeiro ano, segundo os estudos veiculados pelo National Institute for Health and Care Excellence.

O rubor facial pode ser tão intenso e limitante que condiciona a sua qualidade de vida e o correcto desempenho das suas funções profissionais. Nestes casos extremos, a simpatectomia pode permitir-lhe retomar uma vida normal e plena.

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Dra. Joana de Carvalho - Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular

Licenciada em Medicina e Cirurgia iniciou a formação específica em Angiologia e Cirurgia Vascular em 2005, no Hospital de S. João. Obteve o grau de especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, submetendo-se, posteriormente, ao exame de certificação europeu, obtendo o título de Fellow of the European Board of vascular Surgery. Desempenhou funções de Consultora Científica na área de Cirurgia Vascular do Programa Harvard Medical School Portugal. Realizou o curso Master em Fleboestética e fez certificação na técnica CLaCS (Cryo-Laser & Cryo-sclerotherapy), ambas no Brasil. Atualmente concentra a sua atividade na prática de técnicas minimamente invasivas, sem necessidade de internamento ou repouso e com resultados cosméticos otimizados.

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