Varizes e Derrames: tratamentos pouco invasivos

Estar muito tempo em pé, a obesidade e  atoma de anticoncepcional oral (pílula) são factores que se conjugam para o desenvolvimento de varizes e derrames nas pernas. Muitas vezes o cansaço e a sensação de peso nas pernas, sintomas mais do que reconhecidos como indicadores de doença venosa, são facilmente ignorados até ser necessário algum tipo de tratamento invasivo. Apesar da eficácia destes tratamentos, as preocupações com a toxicidade de alguns dos fármacos utilizados tem levantado questões pertinentes.

O que são varizes e derrames

Quando se desenvolvem varizes e derrames, estamos perante uma situação de doença venosa que terá tendência a agravar-se, na ausência de tratamento. Esta condição deve-se à dificuldade que as veias das pernas podem ter em fazer a adequada drenagem do sangue venoso. Esta dificuldade pode ser causada por obstrução ou por incompetência das válvulas unidireccionais que impedem o refluxo sanguíneo.

Em qualquer um dos casos, assiste-se ao acumular de sangue venoso nas veias superficiais, cujas paredes mais frágeis e finas distendem, ficando permanentemente deformadas, dilatadas. Com a evolução desta condição, a irrigação dos tecidos das pernas é comprometido e a estagnação de sangue venoso leva à acumulação de elementos tóxicos. Os coágulos podem, também, surgir e "viajar" até às veias profundas, levando à ocorrência de trombose venosa profunda.

O tratamento de varizes e derrames é por isso crucial para evitar complicações que possam comprometer seriamente a nossa saúde. Mas que tratamentos temos, então, ao nosso dispor?

Opções de tratamento para varizes e derrames

Infelizmente, praticamente todos os tratamentos para varizes e derrames são invasivos, ainda que o grau de invasão possa ser diminuto.

É o caso da escleroterapia, um padrão de eficácia no tratamento de derrames. O tratamento consiste na aplicação endovenosa de agentes esclerosantes de diversos tipos, sendo os mais frequentes o polidocanol e o tetradecil sulfato de sódio, com uma baixa incidência de reacções alérgicas ou efeitos adversos. Outras alternativas podem ter efeitos mais indesejados, caso do morruato de sódio, associado a anafilaxia, isto é, reacção alérgica grave.

Por definição e inerência ao seu modo de actuação, os esclerosantes são agentes tóxicos que atacam as células com que contactam. O seu maior perigo advém por isso da possibilidade de parte do agente extravasar a veia e afectar os tecidos circundantes, causando necrose, ou seja, morte dos tecidos. Esta é, contudo uma complicação extremamente rara com os líquidos correntemente utilizados.

Para quem procura tratamento para varizes sem toxicidade, as técnicas com recurso a energia térmica são, na maioria dos casos,  as preferenciais.

A ablação endovenosa por energia térmica no tratamento de varizes e derrames pode ser conseguida através da radiofrequência ou do laser. Em ambos os casos, um cateter é introduzido e conduzido até ao ponto da intervenção com o auxílio de ultra-sons para um posicionamento mais exacto. Esse cateter contém o eléctrodo de radiofrequência ou a fibra laser, cuja acção causará o aumento substancial do calor dentro da veia, iniciando a sua destruição.

O cateter vai sendo puxado de volta lentamente ao longo da veia a tratar, apenas alguns centímetros por minuto, destruindo a extensão desejada do vaso. Não havendo contacto com substâncias tóxicas, ablação endovenosa por laser ou radiofrequência são altamente eficazes, com poucos efeitos adversos.

Nem sempre será possível recorrer somente a estas duas técnicas para a eliminação completa de varizes: o cateter é difícil ou impossível de posicionar através de veias bastante sinuosas ou demasiado finas. As veias muito superficiais também não poderão ser tratadas com estes métodos, sob o risco de lesar a pele.

A decisão final sobre qual o tratamento de eleição para varizes e derrames irá competir ao médico de cirurgia vascular após avaliação de cada caso específico. O recurso combinado de escleroterapia e ablação endovenosa por radiofrequência ou laser é possível, seguro, e permite atenuar os principais riscos de cada uma das alternativas.

Consulte o site da Cirurgia Vascular, para obter mais esclarecimentos sobre quais as opções de tratamento disponíveis para si.

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Fontes:

Dra. Joana de Carvalho - Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular

Licenciada em Medicina e Cirurgia iniciou a formação específica em Angiologia e Cirurgia Vascular em 2005, no Hospital de S. João. Obteve o grau de especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, submetendo-se, posteriormente, ao exame de certificação europeu, obtendo o título de Fellow of the European Board of vascular Surgery. Desempenhou funções de Consultora Científica na área de Cirurgia Vascular do Programa Harvard Medical School Portugal. Realizou o curso Master em Fleboestética e fez certificação na técnica CLaCS (Cryo-Laser & Cryo-sclerotherapy), ambas no Brasil. Atualmente concentra a sua atividade na prática de técnicas minimamente invasivas, sem necessidade de internamento ou repouso e com resultados cosméticos otimizados. Mantém presença assídua em revistas com artigos temáticos na área da cirurgia vascular, bem como em programas de televisão onde aborda vários temas de cirurgia vascular e explora as soluções para o tratamento de derrames e varizes.

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