Telangiectasias (derrames): muito além da estética

As telangiectasias são pequenos vasos sanguíneos que são evidentes à superfície dos tecidos cutâneos, atingindo até 1mm de espessura.

Embora os problemas estéticos sejam dos principais motivos para a procura de um médico da área vascular, as telangiectasias podem, em muitos casos, refletir a presença de um verdadeiro problema vascular.

Telangiectasias: um problema estético ou médico?

As telangiectasias em si não são uma doença, mas podem ser um sinal ou consequência de uma condição patológica inerente.

Em alguns casos (nevus flammeus, ou "mancha salmão") a condição poderá desenvolver complicações apenas com a idade avançada, enquanto noutras, como no caso do Síndrome de Maffucci, estamos perante anomalias que podem ter desenvolvimentos malignos mais graves.

No entanto, a acne rosacea e a exposição prolongada ao sol encontram-se entre as razões mais comuns para o desenvolvimento de telangiectasias sem outras condições associadas, e ocorrendo principalmente na face e nariz.

Porque aparecem estes pequenos derrames?

O surgimento destas veias dilatadas nas pernas é geralmente um sinal de hipertensão ou insuficiência venosa nesta zona.

Neste caso, o problema de circulação nas veias adjacentes aos capilares leva à acumulação de sangue venoso nestes, provocando a sua dilatação.

As telangiectasias podem evoluir e agravarem para varizes ou dilatações mais graves.

É, assim, muito importante um correto diagnóstico e a procura de doença venosa subjacente, antes de iniciar qualquer tratamento.

As principais Causas do Aparecimento de Telangiectasias

Se as telangiectasias surgem com ou sem associação a outras anomalias vasculares, ou o tipo de condição inerente ao seu surgimento, são questões de elevada pertinência para o tratamento a escolher.

A título de exemplo, quando associadas à gravidez, as dilatações anómalas podem desaparecer após o parto, mas quando relacionadas com danos actínicos do sol e outras condições, adquirem um carácter permanente que pede um tratamento específico, mesmo na ausência das suas causas iniciais.

Entre vários motivos para o seu aparecimento estão:

  • Obesidade
  • Antecedentes familiares
  • Ocupação que obrigue a longos períodos de pé
  • Tabagismo
  • Sedentarismo

Qual o Tratamento para as Telangiectasias?

Existem no mercado diversas opções para a eliminação das telangiectasias, mas a escleroterapia continua a ser a opção preferida para o tratamento dos derrames ou "vasinhos" dos membros inferiores.

Mais recentemente, existe o tratamento inovador Crio-Laser e Crio-Escleroterapia (CLaCS).

O CLaCS é um tratamento de varizes que combina a aplicação de laser na pele e a secagem dos vasinhos, de modo a obter um resultado mais rápido e com menos efeitos indesejáveis.

Contudo, este é um tratamento invasivo que implica a injecção de um líquido no organismo. Por isso mesmo, o recurso a esta técnica obriga a algum cuidado e contenção, devendo ser apenas realizada por médicos especializados e após um diagnóstico cuidado.

Nos casos em que as telangiectasias ocorrem associadas a varizes, o tratamento deve incidir inicialmente no tratamento das varizes e sua causa (exemplo: ablação ou stripping da grande safena) e, num segundo momento, no tratamento das telangiectasias. Só assim se poderá alcançar um resultado satisfatório e duradouro.

Em suma, apesar de os "derrames" serem frequentemente ignorados por quem os possui e tratados como irrelevantes, a verdade é que a sua existência deve motivar a consulta com um médico de cirurgia vascular para determinar as causas do seu surgimento e planear o tratamento.

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Fontes:

Dra. Joana de Carvalho - Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular

Licenciada em Medicina e Cirurgia iniciou a formação específica em Angiologia e Cirurgia Vascular em 2005, no Hospital de S. João. Obteve o grau de especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, submetendo-se, posteriormente, ao exame de certificação europeu, obtendo o título de Fellow of the European Board of vascular Surgery. Desempenhou funções de Consultora Científica na área de Cirurgia Vascular do Programa Harvard Medical School Portugal. Realizou o curso Master em Fleboestética e fez certificação na técnica CLaCS (Cryo-Laser & Cryo-sclerotherapy), ambas no Brasil. Atualmente concentra a sua atividade na prática de técnicas minimamente invasivas, sem necessidade de internamento ou repouso e com resultados cosméticos otimizados. Mantém presença assídua em revistas com artigos temáticos na área da cirurgia vascular, bem como em programas de televisão onde aborda vários temas de cirurgia vascular e explora as soluções para o tratamento de derrames e varizes.

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