Doença arterial periférica: não ignore as dores

doença arterial periférica

A doença arterial periférica (DAP) engloba as doenças que afectam as artérias, excepto as artérias aorta, cerebrais e coronárias. De um modo geral, caracteriza-se por uma irrigação insuficiente de tecidos ou órgãos, devido, na maior parte dos casos,  a aterosclerose. É a insuficiência circulatória que se encontra na origem de, por exemplo, as dores nos membros inferiores enquanto caminhamos, resultado de uma solicitação acrescida ao sistema circulatório por motivo do exercício.

Recentemente, um estudo publicado no Journal of the American Heart Associationrealizado na Universitá Sapienza de Roma, deu conta que a ingestão de chocolate negro aumentou a distância de caminhada em pacientes diagnosticados com doença arterial periférica e claudicação intermitente, eventualmente pelo conteúdo elevado em polifenóis, que dilatam as artérias e têm um efeito anti-oxidante que combate o stress oxidativo que se julga ter um papel importante no encurtamento das distâncias caminháveis. Por comparação, os pacientes tratados com chocolate de leite não mostraram quaisquer melhorias.

Sintomas da doença arterial periférica

Estima-se que a doença arterial periférica (DAP) afecte 20% da população com mais de 70 anos de idade, sendo a claudicação intermitente o seu sintoma mais conhecido. Contudo, a maioria dos indivíduos afectados não se dirige ao médico para verificar a origem da dor, remetendo as suas causas para as fragilidades da idade ou doença osteoarticular.

Deixada progredir, a doença arterial periférica comprometerá cada vez mais o funcionamento dos tecidos das áreas afectadas. Quando a oxigenação é suficientemente diminuída, os tecidos podem inclusivamente morrer e gangrenar, levando à necessidade de amputação. Mais frequentemente, a falta de irrigação provoca arrefecimento dos pés, dor e palidez. Os homens podem notar perda de pêlos nas pernas. Alterações da estrutura das unhas são também frequentes.

No entanto, não só os membros inferiores são afectados pela doença arterial periférica. Quando o bloqueio surge na artéria mesentérica, responsável pela irrgação de parte do aparelho digestivo, os indivíduos afectados sentem dores agudas na barriga, aproximadamente 30 minutos a uma hora após cada refeição, quando o sistema digestivo necessita de mais sangue para levar a cabo a digestão. Em vez de consultar um médico, as pessoas tendem a comer menos, perdendo peso e gerando problemas de nutrição que não atenuam de todo os sintomas.

Também as artérias renais podem ser afectadas, levando, em casos graves, a danos nos rins. Estes danos podem traduzir-se em insuficiência renal ou em hipertensão difícil de tratar.

Doença arterial periférica: factores de risco e tratamento

A idade é um dos principais factores de risco da doença arterial periférica, com uma incidência acrescida a partir dos 65-70 anos, muito porque com o avançar da idade se acentua a aterosclerose. No entanto, o tabagismo é um importante co-factor no surgimento da doença, sendo a maioria dos indivíduos afectados (entre 80% e 90%) fumadores actuais ou ex-fumadores. Diabetes e hipertensão completam o grupo de factores mais frequentemente associados à DAP.

Nestes últimos casos, o tratamento do problema passa pela prescrição de medicação que controle essas patologias de base. Deixar completamente de fumar é, também, um ponto crucial no tratamento. Estes doentes recebem igualmente medicação antiagregante (por ex.: aspirina).

Adicionalmente podem ser necessárias intervenções directas nas artérias afectadas para melhorar a circulação. Estas intervenções podem ser minimamente invasivas (endovasculares) nos casos em que o estreitamento da artéria é muito localizado e atinge um curto segmento. Contudo, quando a doença é mais difusa, com envolvimento de grandes segmentos arteriais, a cirurgia aberta, com realização de, por exemplo, um bypass, pode ser a unica opção.

Em conclusão, se tem mais de 70 anos e historial de tabagismo, diabetes, colesterol alto ou hipertensão, e sente dores após a digestão ou durante caminhadas, coloque o problema ao seu médico e proceda a exames de diagnóstico para combater com eficácia a doença arterial periférica antes de comprometer seriamente a sua qualidade de vida.

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Fontes:

Dra. Joana de Carvalho - Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular

Licenciada em Medicina e Cirurgia iniciou a formação específica em Angiologia e Cirurgia Vascular em 2005, no Hospital de S. João. Obteve o grau de especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, submetendo-se, posteriormente, ao exame de certificação europeu, obtendo o título de Fellow of the European Board of vascular Surgery. Desempenhou funções de Consultora Científica na área de Cirurgia Vascular do Programa Harvard Medical School Portugal. Realizou o curso Master em Fleboestética e fez certificação na técnica CLaCS (Cryo-Laser & Cryo-sclerotherapy), ambas no Brasil. Atualmente concentra a sua atividade na prática de técnicas minimamente invasivas, sem necessidade de internamento ou repouso e com resultados cosméticos otimizados. Mantém presença assídua em revistas com artigos temáticos na área da cirurgia vascular, bem como em programas de televisão onde aborda vários temas de cirurgia vascular e explora as soluções para o tratamento de derrames e varizes.

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