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Como podem as artérias carótidas estar implicadas?

O envolvimento destas artérias pode ocorrer quando o seu interior começa a ficar apertado ou mesmo completamente ocluído. As artérias carótidas estendem-se desde a aorta até ao cérebro, sendo responsáveis pelo fornecimento de sangue a este órgão nobre.

Com o avançar da idade, aumenta o risco de esta situação poder ocorrer.

As artérias saudáveis são lisas e desobstruídas no seu interior, mas à medida que as pessoas envelhecem, pode acumular-se placa de ateroma na sua parede. Esta placa é constituída por colesterol, cálcio e tecido fibroso. Devido ao crescimento desta placa, as artérias vão ficando progressivamente obstruídas. A este processo chamamos aterosclerose. Quando se acumula placa suficiente para reduzir ou perturbar o fluxo de sangue, estamos perante um problema sério, que pode ser responsável por um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Alguns depósitos de placa têm tendência para fracturar ou formar áreas rugosas e irregulares dentro da artéria, o que pode conduzir à formação de trombos. Se a doença atingir a artéria com gravidade suficiente, reduzindo ou mesmo impedindo o fluxo de sangue (com oxigénio) para o cérebro, pode ocorrer um AVC.

No entanto, o mecanismo mais frequente acaba por ser a libertação de um fragmento de placa aterosclerótica ou de um coágulo, que viaja através do fluxo sanguíneo, indo alojar-se numa qualquer pequena artéria do cérebro.

Quais são os sintomas da doença da artéria carótida?

A doença da artéria carótida não provoca sintomas nos estádios iniciais.

Infelizmente, o primeiro sinal de doença da artéria carótida pode ser o AVC propriamente dito. Existe no entanto uma situação que pode servir como sinal de alerta. Esta tem o nome de Acidente Isquémico Transitório (AIT). Os sintomas dos AIT’s habitualmente duram desde alguns minutos a 1 hora e incluem:

  • Sensação de fraqueza, dormência ou formigueiro num dos lados do corpo, ou apenas num braço ou numa perna;
  • Incapacidade de controlar o movimento de um braço ou perna;
  • Perda de visão de um olho (muitas pessoas descrevem esta sensação como um estore de janela a baixar);
  • Incapacidade de falar claramente.

No decurso de um AIT, estes sintomas acabam por desaparecer na totalidade, num prazo de 24 horas. No entanto, não podem ser ignorados. Ter um AIT significa que há um elevado risco de AVC num futuro próximo. Devem ser procurados cuidados médicos de imediato.

Quais as causas da doença da artéria carótida?

A aterosclerose é a doença que mais frequentemente atinge a artéria carótida.

Ainda não se compreendem na totalidade os mecanismos que causam a aterosclerose. Entre os factores que podem aumentar a probabilidade de desenvolver doença da artéria carótida, incluem-se o tabagismo, a diabetes, o colesterol elevado e a hipertensão arterial.

Quais os exames necessários?

Se o médico suspeitar de doença da artéria carótida, será realizado um eco-Doppler das artérias carótidas. Este exame permite ver a estrutura dos vasos e o fluxo de sangue no seu interior, detectando a maioria dos casos de doença da artéria carótida. Por esta razão, na maior parte das vezes não são necessários mais exames. No entanto, se o eco-Doppler não for conclusivo, poderão ser requisitados um ou mais dos seguintes exames:

  • Angiografia por Tomografia Computorizada (AngioTC) – estes exames utilizam raios X para fazer imagens “em corte” do cérebro e artérias do pescoço. Poderá ser injectada uma substância chamada contraste, que torna os vasos sanguíneos mais visíveis na TC. Este exame permite identificar as áreas de estreitamento das artérias;
  • Angiografia por Ressonância Magnética (AngioRM) – utiliza campos magnéticos para criar imagens detalhadas. Algumas formas deste exame podem mostrar o fluxo de sangue em movimento, avaliando a doença da artéria carótida. Para aumentar a precisão deste exame, poderá também ser injectado um contraste chamado gadolíneo.
  • Angiografia convencional – injecta-se contraste nas artérias, através de um cateter, adquirindo-se imagens de raios X posteriormente. Este exame, que é invasivo, mostra a estrutura e fluxo de sangue na artéria, evidenciando estreitamentos e oclusões. A angiografia tem alguns riscos, incluindo uma pequena incidência de AVC (cerca de 1%), sendo esta uma das razões pela qual não é utilizada como um exame de primeira linha no diagnóstico e seguimento da doença da artéria carótida.

Como se trata a doença da artéria carótida?

O tratamento depende da gravidade da doença e dos seus sintomas, bem como do estado geral de saúde do doente. Como primeira abordagem, o cirurgião vascular poderá recomendar fármacos e alteração do estilo de vida.

Doentes com outras patologias concomitantes, deverão mantê-las vigiadas e controladas, como por exemplo diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado e tabagismo.

Em alguns casos pode estar indicado o tratamento cirúrgico – a endarterectomia carotídea.

O que pode fazer para se manter saudável?

É extremamente importante manter um estilo de vida saudável, cumprir a medicação prescrita pelo médico e não faltar às consultas e exames agendados, uma vez que a doença carotídea se pode agravar ao longo do tempo, mesmo sem sintomas.

As mudanças no estilo de vida podem limitar a progressão da doença. Estas incluem cessação tabágica, manutenção de um peso corporal adequado, dieta saudável e exercício físico regular.

Nota dos autores

Estes textos visam uma divulgação generalista. Procurou usar-se linguagem adequada à informação do público em geral. Pretende-se ainda assim que as noções apresentadas sejam as mais correctas à luz do conhecimento científico actual, embora de modo claro, mesmo para o leitor sem formação nesta área.

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