Tratamento de varizes com Radiofrequência

Para quem tem varizes, tratar varizes com radiofrequência é um tratamento simples e eficaz, que apresenta vantagens claras face aos métodos de tratamento mais tradicionais. Mas será este o tratamento ideal para si? Continue a ler para descobrir.

O desenvolvimento das varizes

DerramesAs varizes surgem principalmente nos membros inferiores, associadas a factores diversos, além da hereditariedade, como excesso de peso ou longas horas de ortostatismo (posição de pé). Normalmente, nosso corpo auxilia os canais venosos a devolverem o sangue ao coração através das contracções da musculatura da perna que serve como uma bomba, "empurrando o sangue para cima".

Se passamos demasiado tempo de pé, os canais venosos mais superficiais, cuja pressão é menor e são mais frágeis, não contam com esta ajuda e terão maiores dificuldades em drenar o sangue para o sistema venoso profundo onde a pressão é maior. Gera-se, então, uma situação em que o sangue flui mais lentamente e se acumula nas veias e vasos superficiais, levando à sua dilatação.

A gravidez é um caso específico do desenvolvimento de varizes. Nesta situação, as varizes surgem porque o útero gravídico, mais volumoso, pressiona a veia cava inferior e as veias dos membros inferiores não possuem pressão suficiente para continuarem uma drenagem normal do sangue. Por outro lado, a progesterona, hormona libertada nesta altura, baixa a pressão arterial, e cria uma incapacidade maior nas veias que drenam para a veia cava inferior.

As boas notícias para as futuras mamãs, é que, após o parto, com o fim da pressão exercida pelo útero, as varizes tenderão a desaparecer em grande parte dos casos.

Para todas as outras pessoas, tratar varizes com radiofrequência pode ser uma solução atraente.

Como funciona o tratamento de varizes com radiofrequência?

Tratar varizes com radiofrequência é apenas uma das mais recentes opções disponíveis para os pacientes, a par de técnicas mais tradicionais como o stripping da veia safena ou a escleroterapia.

O processo de tratamento de varizes com radiofrequência implica a inserção na veia safena de um cateter que será cuidadosamente guiado com o auxílio de ultra-sons (ecografia) até ao local correcto (habitualmente até ao nível da virilha). Através desse cateter será então passado uma fibra de radiofrequência. Uma vez em posição, esta fibra liberta uma descarga de radiofrequência que aquece a parede da veia, causando a sua oclusão quase imediata.

O cateter é removido lentamente, a cerca de 3cm por minuto, mantendo a temperatura da veia nos 85ºC. A anestesia local aplicada é do tipo tumescente com lidocaína e soro gelado. Deste modo, afasta a veia dos tecidos circundantes e absorve o calor produzido pela intervenção, impedindo danos.

Em algum tempo, a veia encerrada será absorvida pelo organismo, enquanto a circulação sanguínea se fará normalmente, através do sistema venoso profundo (o mais importante para a adequada drenagem venosa dos membros inferiores). Embora possa parecer significativa a destruição de uma veia das dimensões da safena, somente 10% do nosso sangue venoso viaja pelas veias superficiais, pelo que os impactos negativos na nossa saúde serão negligenciáveis por comparação aos benefícios notórios da eliminação das varizes.

As complicações que advêm da ablação endovenosa com radiofrequência são pequenas, com níveis de segurança idênticos às alternativas actualmente disponíveis. As queimaduras na pele são pouco frequentes, com ocorrência entre 2 a 7% dos pacientes, com casos relatados de parestesias (sensação de dormência) e flebites em baixas percentagens, enquanto a trombose venosa profunda ocorre apenas em 1% dos tratamentos e a embolia pulmonar ocorre em menos de 1%, segundo o National Institute For Health and Care Excelence, organismo responsável pela emissão de linhas de orientação com vista à melhoria dos cuidados de saúde no Reino Unido.

Tratar varizes com radiofrequência é um procedimento praticamente indolor. A anestesia adormece a perna e o paciente sente apenas alguma pressão com a inserção do cateter. A anestesia local, ao necessitar de múltiplas picadas na face interna da perna, poderá ser algo desconfortável, mas a dor é mínima. No pós-operatório, o paciente pode retomar actividade normal quase imediatamente, embora não seja recomendável, nos primeiros dias após a intervenção, viajar de avião ou permanecer imóvel durante longos períodos de tempo, o que aumenta a possibilidade de complicações. Uma meia elástica será também de uso obrigatório, nas semanas que se seguem ao tratamento.

Seguro, eficaz e permitindo um rápido retorno ao quotidiano dos pacientes, a ablação endovenosa por radiofrequência tem, no entanto, limitações, não estando indicada no caso de veias muito sinuosas ou demasiado estreitas.

Consulte um especialista em cirurgia vascular para saber se este é o procedimento adequado a si e quais os métodos alternativos.

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Fontes:

Dra. Joana de Carvalho - Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular

Licenciada em Medicina e Cirurgia iniciou a formação específica em Angiologia e Cirurgia Vascular em 2005, no Hospital de S. João. Obteve o grau de especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, submetendo-se, posteriormente, ao exame de certificação europeu, obtendo o título de Fellow of the European Board of vascular Surgery. Desempenhou funções de Consultora Científica na área de Cirurgia Vascular do Programa Harvard Medical School Portugal. Realizou o curso Master em Fleboestética e fez certificação na técnica CLaCS (Cryo-Laser & Cryo-sclerotherapy), ambas no Brasil. Atualmente concentra a sua atividade na prática de técnicas minimamente invasivas, sem necessidade de internamento ou repouso e com resultados cosméticos otimizados. Mantém presença assídua em revistas com artigos temáticos na área da cirurgia vascular, bem como em programas de televisão onde aborda vários temas de cirurgia vascular e explora as soluções para o tratamento de derrames e varizes.

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