Stripping: técnica clássica no tratamento de varizes

As opções de tratamento de varizes têm crescido em variedade e eficácia, mas apesar dos avanços em técnicas como a ablação endovenosa por radiofrequência ou a escleroterapia, as técnicas mais clássicas como o stripping continuam válidas e com bons resultados.

Como surgem as varizes

A relação entre sistema venoso superficial e profundo

A veia safena grande é a principal veia do sistema venoso superficial, prolongando-se ao longoa da face interna de todo o membro inferior. Ao longo da sua extensão recebe sangue de diversas tributárias. As suas características únicas tornam-na uma veia de eleição para procedimentos cirúrgicos como, por exemplo, os bypass coronários.

Como veia superficial, a grande safena é apenas uma etapa num sistema complexo que começa quando os capilares venosos descarregam o sangue desoxigenado nas veias superficiais de baixa pressão.

Posteriormente, essas veias servem-se de canais venosos que passam através dos músculos para enviarem o seu sangue para as veias profundas de alta pressão, como a veia femoral. Para o sistema funcionar correctamente, o nosso sistema venoso possui válvulas unidireccionais que impedem o refluxo sanguíneo, mantendo o sentido do fluxo em direcção ao coração.

Passar o sangue de veias de baixa pressão para outras de grande pressão é no entanto um esforço apreciável e as válvulas podem falhar. Quando isto acontece, o sangue reflui e começa a acumular-se nas veias superficiais que, por possuírem paredes mais finas e não estarem rodeadas da fáscia muscular são mais vulneráveis e começam a dilatar e a criar sinuosidades à medida que mais sangue se acumula, impedindo cada vez mais válvulas de funcionar correctamente e tomando a aparência de varizes.

Meios de diagnóstico:

Antes de se optar pelo stripping ou por outro meio de tratamento, deve compreender-se a natureza das varizes.

As modernas técnicas de imagem permitem o mapeamento venoso através do recurso aos ultrassons e efeito Doppler cujo expoente máximo é a ultrassonografia com Doppler colorido, capaz de codificar com cores o tipo e a intensidade do fluxo sanguíneo, detectando com grande exactidão mesmo os mais pequenos refluxos sanguíneos para indicar qual o ponto crucial da formação de uma variz.

Porquê o stripping?

Stripping e escleroterapia têm quase a mesma idade, tendo surgido há aproximadamente 150 anos. Ao longo deste período, ambas as técnicas tiveram momentos de popularidade e de desfavorecimento, mas ambas foram altamente refinadas.

A escleroterapia, que consiste na injecção de um fármaco que provocará um efeito inflamatório e levará à oclusão da veia, tem a virtude de ser pouco invasiva e altamente eficaz. No entanto tem limitações: se a válvula de junção entre a veia intervencionada e a grande safena não estiver estanque, o fluxo sanguíneo eliminará o produto esclerosante antes deste surtir efeito.

Paralelamente, embora algumas formas de escleroterapia possam ser usadas nos vasos de maiores dimensões como a própria safena, os seus riscos acrescidos nestes caso tornam-na uma opção menos preferida.

Por comparação, o stripping consiste na remoção da veia afectada através de uma incisão feita na sua extremidade. Embora pareça um procedimento agressivo, os seus riscos são reduzidos e o paciente só necessita usualmente de uma noite no hospital, podendo mesmo, em casos selecionados, ser realizado em regime de ambulatório (sem internamento).

Alguns pacientes podem mostrar reservas quanto aos efeitos que o stripping da veia safena podem ter na sua circulação, mas só cerca de 10% do nosso sangue circula através destas veias superficiais. Ao mesmo tempo, o nosso corpo procede a uma revascularização do local tratado para repor pelo menos parte da sua capacidade.

Stripping ou escleroterapia, o tratamento de varizes oferece-lhe hoje opções eficazes e seguras. Consulte o seu médico e opte por um tratamento precoce das varizes.

Saiba mais sobre Stripping »

Fontes:

Dra. Joana de Carvalho - Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular

Licenciada em Medicina e Cirurgia iniciou a formação específica em Angiologia e Cirurgia Vascular em 2005, no Hospital de S. João. Obteve o grau de especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, submetendo-se, posteriormente, ao exame de certificação europeu, obtendo o título de Fellow of the European Board of vascular Surgery. Desempenhou funções de Consultora Científica na área de Cirurgia Vascular do Programa Harvard Medical School Portugal. Realizou o curso Master em Fleboestética e fez certificação na técnica CLaCS (Cryo-Laser & Cryo-sclerotherapy), ambas no Brasil. Atualmente concentra a sua atividade na prática de técnicas minimamente invasivas, sem necessidade de internamento ou repouso e com resultados cosméticos otimizados. Mantém presença assídua em revistas com artigos temáticos na área da cirurgia vascular, bem como em programas de televisão onde aborda vários temas de cirurgia vascular e explora as soluções para o tratamento de derrames e varizes.

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