Dores nas pernas: normais ou potencialmente graves?

As dores nas pernas são muitas vezes ignoradas, interpretadas como cãibras ou fadiga perfeitamente normal. Todos nós já sofremos com esses sintomas, por exemplo, quando fazemos exercício intenso ou quando temos um dia particularmente cansativo. Contudo, às vezes estas dores nas pernas podem "esconder" problemas circulatórios que requerem atenção médica.

Dores nas pernas: causas conhecidas

As dores nas pernas podem, de facto, ter uma ampla gama de causas, a maioria delas perfeitamente inócuas. É efectivamente normal que no decurso de exercício intenso, devido à fadiga e à falta de electrólitos, os músculos das nossas pernas sofram cãibras, às vezes extremamente dolorosas.

É igualmente normal que, após uma mudança de regime de exercício, surjam dores, as quais ainda não são completamente esclarecidas pela medicina, mas que poderão ser causadas por micro-rupturas nas fibras musculares mais afectadas.

Após um dia em que se esteve muito tempo em pé, pode também ser natural a sensação de peso e cansaço que se faz sentir no fim do dia.

dores_nas_pernasSeja como for, as dores nas pernas são uma ocorrência natural na nossa vida, pelo que não nos sentimos geralmente alarmados com a sua existência após o exercício, ainda mais à medida que a nossa idade avança. Por outro lado, não atribuímos a importância às dores de pernas que habitualmente atribuímos a uma dor torácica ou a outros sintomas que podem indiciar um enfarte ou um Acidente Vascular Cerebral. A verdade é que a população geral não está sensibilizada para o que este sintoma pode significar.

Contudo, poderemos notar que a nossa capacidade para caminhar sem sentir dor vai diminuindo com o passar do tempo, o que poderá ser o primeiro sinal de alarme de que algo está mal.

As dores nas pernas que obrigam a interromper caminhadas que anteriormente pareciam simples podem dever-se à obstrução de uma artéria, provocando deficiente irrigação adequada aos nossos músculos das pernas. Esta doença, chamada Doença Arterial Obstrutiva Periférica, deve-se geralmente à formação de placas de colesterol e outros materiais gordos ao longo das paredes das artérias, reduzindo o seu lúmen e, portanto, a circulação.

Quando fazemos exercício obrigamos os nossos músculos a gastar mais energia. Estes, que por seu turno, solicitam um maior fornecimento de oxigénio e nutrientes que as artérias comprometidas não podem cumprir, gerando dor. Por outro lado, esta dor desencoraja-nos a fazer mais exercício, levando a uma desfavorável mistura entre inactividade física e doença vascular.

Quem deve ficar mais alarmado com as dores nas pernas

Se as dores nas pernas se deverem a doença arterial obstrutiva periférica, as estatísticas dizem que os principais factores de risco são a idade, os hábitos tabágicos, e a diabetes. Especificamente, indivíduos com mais de 70 anos e historial de consumo prolongado de tabaco encontram-se particularmente em risco de desenvolver doença arterial periférica, que nas situações mais extremas, na ausência de tratamento adequado, pode levar à gangrena dos tecidos e obrigar a uma amputação do membro afectado.

Actualmente existe uma ampla gama de possibilidades de diagnóstico das causas das dores nas pernas, com técnicas pouco invasivas, como o Eco-Doppler que permitem de forma rápida e eficaz fazer o diagnóstico e, identificando os segmentos arterias afectados, programar uma intervenção eficaz.

Assim, deve manter-se atento, procurando avaliação por Cirurgia Vascular se suspeitar que poderá ter doença arterial. O diagnóstico precoce e o tratamento atempado são as melhores formas de evitar situações extremas e recuperar a qualidade de vida.

Saiba mais sobre Trombose Venosa Profunda »

Dra. Joana de Carvalho - Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular

Licenciada em Medicina e Cirurgia iniciou a formação específica em Angiologia e Cirurgia Vascular em 2005, no Hospital de S. João. Obteve o grau de especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, submetendo-se, posteriormente, ao exame de certificação europeu, obtendo o título de Fellow of the European Board of vascular Surgery. Desempenhou funções de Consultora Científica na área de Cirurgia Vascular do Programa Harvard Medical School Portugal. Realizou o curso Master em Fleboestética e fez certificação na técnica CLaCS (Cryo-Laser & Cryo-sclerotherapy), ambas no Brasil. Atualmente concentra a sua atividade na prática de técnicas minimamente invasivas, sem necessidade de internamento ou repouso e com resultados cosméticos otimizados.

Partilhe este artigo

Artigo anterior

Ver todos os artigos

Próximo artigo