Muitas pessoas que têm varizes ainda tardam em procurar aconselhamento médico, seja por medo ou por desconhecimento. Por outro lado, muitos doentes que procuram avaliação por cirurgia vascular para tratamento das suas varizes, confessam o seu receio em submeter-se a uma cirurgia. Este medo resulta, na maioria das vezes, de histórias contadas por terceiros que revelam a sua experiência menos favorável e a apresentam como regra e não como excepção. Afinal toda a gente tem uma amiga, um familiar ou vizinho que já foi operado às varizes!
Contudo, a cirurgia de varizes é uma cirurgia segura, com raras complicações e, actualmente, os métodos utilizados são cada vez menos invasivos, permitindo uma recuperação mais confortável e rápida.

Mito 1: As varizes não devem ser operadas porque as veias retiradas na cirurgia fazem falta para a circulação

As varizes são, por definição, veias superficiais, dilatadas e tortuosas.
As veias das nossas pernas estão divididas em 2 grupos: o sistema venoso profundo e o sistema venoso superficial.
Quando falamos de varizes e veias safenas (as mais frequentemente envolvidas na cirurgia de varizes) falamos de sistema venoso superficial. Em termos de função, é um sistema muito limitado, que muito pouco contribui para a drenagem venosa das pernas. Esta é assegurada pelo sistema venoso profundo, no qual nunca mexemos numa cirurgia de varizes.
Além disso, as veias a tratar são veias doentes, já desprovidas da sua função.
Portanto, a cirurgia de varizes em nada prejudica a circulação das pernas.

Mito 2: As varizes ressurgem sempre após a cirurgia e por isso não vale a pena ser operado

Como na maioria das doenças, existe sempre o risco de recidiva, isto é, de as varizes voltarem a surgir. Contudo, este risco é diminuido com uma avaliação cuidada, com o estudo das varizes e da sua origem com eco-Doppler e uma correcta selecção do tratamento para cada caso.
O cumprimento dos conselhos médicos pós-operatórios é também essencial para obtenção de bons resultados.

Mito 3: O pós-operatório é muito complicado, obrigando a internamento, repouso absoluto no leito e andar com canadianas

Actualmente, muitos destes procedimentos são realizados em regime de ambulatório, isto é, o doente tem alta hospitalar no próprio dia da intervenção.
O paciente, em lugar de estar obrigado a repouso absoluto, é encorajado a levantar-se e movimentar-se muito precocemente após a cirurgia, para prevenir complicações.
Habitualmente os pacientes, dependendo de cada caso específico, estão aptos para retomar a sua actividade diária ao fim de 2 ou 3 dias. Muitos pacientes vão mesmo trabalhar logo no dia seguinte à cirurgia.

Mito 4: Após a cirurgia é necessário ficar com ligaduras nas pernas durante uma semana a 10 dias

Na maioria dos casos, após a cirurgia os doentes devem usar meia de contenção elástica. As ligaduras, tradicionalmente colocadas nas pernas após a cirurgia, além de muito desconfortáveis raramente estão indicadas, tendo vantagem a sua utilização em casos específicos de varizes com complicações da pele associadas.

Mito 5: A escleroterapia, vulgarmente chamada de “secagem”, é uma alternativa à cirurgia

Muitas vezes a escleroterapia é o único tratamento necessário. Isto aplica-se quando as veias “principais” estão bem e os pequenos “derrames” ou pequenas veias superficiais são a única coisa a tratar.
Contudo, quando há realmente doença venosa, há que tratar a causa, isto é, a origem das varizes para que o tratamento resulte o mais definitivo possível e, nestes casos, pode ser necessária a cirurgia.

Mito 6: Uma vez que não causam incómodo nem dor, não há necessidade de operar

Muitos pacientes com varizes dizem não ter necessidade de cirurgia pois não se importam com a questão estética nem têm dor nem quaisquer queixas relacionadas com as suas varizes.
Há que realçar que a doença venosa não é uma doença estática mas que tem tendência a agravar e a complicar. Assim, o tratamento das varizes está recomendado, mesmo quando não há queixas e deve ser o mais precoce possível para obtenção dos melhores resultados.
Quem tem varizes tem o risco de ter complicações como:

  • alterações da pele: como eczema, hiperpigmentação (ficar com áreas castanhas nas perna), fragilização da pele e, por fim, úlceras (feridas) de muito difícil cicatrização
  • tromboflebites - Este fenómeno consiste na formação de coágulos no interior da variz que assim fica ocluída e inflamada. Nestes casos, frequentemente consegue palpar-se um cordão endurecido, avermelhado e extremamente doloroso ao longo do trajecto da flebite. Trata-se de uma situação que deve beneficiar de tratamento expedito uma vez que apresenta algum risco de complicações sérias, nomeadamente extensão da trombose para veias mais profundas (Trombose Venosa Profunda) ou entrada em circulação de fragmentos do trombo (Embolia Pulmonar).
  • sangramento das varizes (decorrente de qualquer pequeno traumatismo)

Resulta assim bem claro que as varizes são muito mais do que um problema estético, podendo condicionar, além de grande incómodo e prejuízo da qualidade de vida, complicações diversas. Assim, o seu tratamento está indicado e deve ser o mais precoce possível para garantir um melhor e mais definitivo resultado. Depois de instaladas algumas destas complicações, tais como as alterações cutâneas, dificilmente se obterá um resultado óptimo.

Nota dos autores

Estes textos visam uma divulgação generalista. Procurou usar-se linguagem adequada à informação do público em geral. Pretende-se ainda assim que as noções apresentadas sejam as mais correctas à luz do conhecimento científico actual, embora de modo claro, mesmo para o leitor sem formação nesta área.

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