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Varizes e Gravidez

O período de gestação é único na vida de uma mulher. A possibilidade de gerar um ser e permitir o seu desenvolvimento até este poder sobreviver fora do útero e autonomamente é um privilégio que faz qualquer mulher sentir-se especial.

É, portanto, uma altura em que inúmeras alterações ocorrem no nosso corpo para permitir que uma outra vida se desenvolva. Neste contexto, a gestação é, também, um período da vida da mulher particularmente predisponente ao aparecimento e ao agravamento de varizes já existentes. Este facto é justificável, muito precocemente, pelo ambiente hormonal e, numa fase mais avançada da gravidez, pela pressão exercida pelo útero gravídico.

Aquando do planeamento de uma gestação é, assim, importante ter uma consulta de cirurgia vascular para uma avaliação adequada e implementação de medidas preventivas ou terapêuticas, de acordo com o caso, principalmente quando há sintomas sugestivos de doença venosa ou história familiar de varizes.

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Quando se fala de varizes num quadro de gravidez ou de planeamento de gravidez há vários cenários possíveis e que suscitam dúvidas quanto à melhor abordagem:

1) Estou a pensar engravidar daqui a um ano e tenho varizes. Devo tratar já ou aguardar para ter os meus filhos?

Quando se planeia uma gravidez a longo prazo, as opiniões quanto à melhor abordagem divergem. Contudo, tendo em conta que a gravidez é um factor de risco não só para o agravamento das varizes mas também para o desenvolvimento das suas complicações, parece prudente recomendar o seu tratamento atempadamente.

Durante a gravidez e após o parto (período de puerpério), a mulher apresenta um maior risco de ter complicações da sua doença venosa, nomeadamente tromboflebites (presença de coágulos nas veias que poderão complicar-se de tromboembolismo pulmonar ou, mais tarde, de síndrome pós-flebítico – quadro clínico caracterizado por dor e edema crónicos podendo ocorrer, também, o desenvolvimento de úlceras de perna).

Assim, havendo intervalo de tempo que o permita, deverá procurar avaliação por cirurgia vascular, para planear o tratamento mais adequado de modo a permitir uma gestação o mais tranquila e confortável possível.

2) Estou grávida e tenho varizes. O que devo fazer?

Quando se engravida tendo já varizes, o principal objectivo é evitar o seu agravamento e o desenvolvimento das suas complicações. Assim, estará indicado o uso diário de meia de contenção elástica durante toda a gravidez.

Além disso, medidas gerais de drenagem poderão aliviar os sintomas de peso, cansaço e edema que se farão sentir, predominantemente numa fase avançada da gestação. A consulta com um especialista está sempre recomendada para avaliação de cada caso particular e melhor adequação das medidas a tomar.

3) Estou grávida e nunca tive varizes. Tenho que tomar alguma medida?

A gravidez só por si é um factor de risco para o aparecimento de varizes, mesmo em mulheres sem história familiar ou qualquer evidência de doença venosa. Não só o útero gravídico em expansão provoca uma compressão no sistema venoso pélvico que dificulta a drenagem venosa dos membros inferiores, numa fase mais avançada, mas também, muito precocemente, as alterações hormonais que se fazem sentir propiciam o desenvolvimento de varizes e de telangiectasias (“derrames” ou “pequenos vasinhos”).

Assim, está sempre recomendado o uso de meia de contenção elástica desde o início da gravidez, como medida preventiva.

4) Fiquei com varizes durante a gravidez. O que devo fazer?

Durante a gestação, um dos factores mais importantes para o aparecimento de varizes é a compressão que o útero gravídico exerce sobre a veia cava, dificultando a drenagem venosa dos membros inferiores. Assim, após o parto, com a regressão do tamanho do útero e a ausência deste efeito de compressão, grande parte destas “varizes da gravidez” desaparecem. Após o parto e durante o período de amamentação deve manter o uso de meia de contenção elástica.

Esta não é uma altura para pensar em tratamentos de varizes ou consultas de especialidade! Após o puerpério, deve procurar avaliação de cirurgia vascular para um diagnóstico cuidado e selecção do tratamento mais indicado, no caso de ser necessário.

A gravidez é, portanto, um período único e que deve ser vivido de forma plena e o mais tranquila possível. A prevenção do desenvolvimento ou agravamento de doença venosa está sempre indicada, recomendando-se a avaliação pela especialidade de Cirurgia Vascular que indicará quais as medidas mais adequadas para cada caso específico.

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Tratamento de Varizes: Técnicas minimamente invasivas

As varizes são muito mais do que um problema estético, podendo condicionar, além de grande incómodo e prejuízo da qualidade de vida, complicações diversas. Assim, o seu tratamento está indicado e deve ser o mais precoce possível para garantir um melhor e mais definitivo resultado. Contudo, muitas pessoas adiam este tratamento, por desconhecimento ou por medo. Classicamente, a cirurgia de varizes é ainda olhada com algum receio e conotada com tempos prolongados de internamento, repouso no leito e absentismo laboral.

Na realidade, a cirurgia de varizes é uma cirurgia segura, com poucas complicações e, com os novos métodos disponíveis, pode ser realizada em ambulatório, sendo expectável o retorno à actividade habitual diária em poucos dias.
Quando se considera um algoritmo de tratamento de varizes, o clínico deve ser selectivo e basear as suas decisões nas necessidades do doente em questão.
O objectivo principal na cirurgia de varizes é tratar primeiro a causa das varizes, na maioria dos casos incompetência das veias safenas. É o tratamento destas veias que pode diferir e condicionar diferentes tempos de recuperação, complicações e resultados. Tradicionalmente estas veias são removidas, implicando uma incisão na região da virilha (ao longo da sua prega) e a sua extracção através de uma pequena incisão abaixo do joelho ou no tornozelo. Como é compreensível este método pode provocar equimose mais ou menos extensa ao longo do trajecto da veia removida.
Contudo, cada vez mais são procurados métodos menos invasivos e que envolvam menos complicações, permitindo uma mais fácil e rápida recuperação.

Um dos métodos mais em voga é a ablação endovenosa por radiofrequência.

Este é um procedimento minimamente invasivo para o tratamento de varizes. É um método alternativo ao clássico stripping da veia safena (método de extracção desta).
Esta técnica evita a habitual incisão na prega da virilha e as suas potenciais complicações. Além disso, a ausência de dissecção cirúrgica na região da virilha permite manter intacta a drenagem linfática da parede abdominal e dos membros inferiores.
Este método utiliza a energia da radiofrequência para aquecer a parede da veia, através de um cateter que é colocado no seu interior, por visualização ecográfica. O aquecimento provoca encolhimento das fibras de colagénio que fazem parte da parede do vaso. O diâmetro da veia é reduzido e simultaneamente as proteínas do sangue são desnaturadas pelo calor, obliterando o vaso. Nos 10 a 12 meses seguintes a veia acaba por fibrosar completamente, tornando-se indetectável ao exame ecográfico, sem que na realidade tenha sido extraída.

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Esquema de funcionamento do cateter de radiofrequência Fig 1. Inserção de cateter de radiofrequência na veia, através de pequena punção na pele Fig 2. O cateter liberta energia térmica, num processo controlado pelo cirurgião Fig 3. À medida que o cateter é removido, a veia colapsa, procedendo-se à sua ablação

Técnica

O doente é colocado em posição deitada e é administrada anestesia local para inserção do cateter de radiofrequência na veia. Este é inserido habitualmente abaixo do joelho, no ponto em que a veia se encontra mais próximo da superfície cutânea. Para isso é feita uma pequena “picada” na pele através da qual se punciona a veia para introduzir o cateter, cuja extremidade é colocada, através de controle ecográfico, imediatamente abaixo da zona de confluência da veia safena com a veia femoral, isto é, ao nível da virilha.
Quando o cateter está adequadamente colocado, é aplicado um fluído anestésico em torno da veia. Tal é conseguido através de pequenas picadas na pele, ao longo do trajecto da veia. O objectivo é envolver completamente a veia, a ela restringindo o efeito de aquecimento, evitando assim afectar significativamente as estruturas cutâneas e nervosas adjacentes.
Findo este processo, o doente é colocado com as extremidades inferiores elevadas a cerca de 20º. O aquecimento é controlado por um gerador computorizado e a passagem do cateter pela veia é feita a uma velocidade de cerca de 2 a 4 cm por minuto.
Quando se termina, deve fazer-se um controlo ecográfico para confirmar a obliteração da veia safena e a permeabilidade dos vasos profundos.

Seguimento e cuidados

No fim do procedimento é calçada uma meia de contenção elástica até à raiz da coxa.
O doente é encorajado a deambular precocemente após a intervenção e em alguns casos pode mesmo retomar a sua actividade laboral no próprio dia.
No espaço de cerca de 5 dias deverá ser reavaliado pelo médico e efectuar um ecodoppler para confirmar a ablação venosa e a ausência de extensão do trombo à veia femoral.

Conclusão

Trata-se de um método seguro e eficaz, com um período de convalescença curto, permitindo um retorno precoce ao trabalho e às rotinas diárias.
Além da radiofrequência esta ablação/colapso da veia pode ser conseguido com injecção de espuma (uma mistura de ar e de um agente químico produzindo uma consistência que permite um maior contacto com a parede do vaso a tratar) ou com uma cola específica para uso endovenoso. As técnicas a propôr dependem sempre de uma criteriosa avaliação e do doente em causa.
Alem de tratar a causa das varizes, pretende-se a remoção das varizes, o alivio sintomático e um bom resultado estético com o mínimo de complicações.

 

 

Simpaticectomia, pode resolver rubor facial

Quando fala com alguém, tem de fazer uma apresentação em público ou simplesmente quando parece que alguém olha para si, sente um rubor incontrolável na face, que de tão intenso que é, provoca ardor e uma desconfortável sensação de calor? Possivelmente já tentou diversos métodos de controlo da ansiedade e técnicas de alteração comportamental sem quaisquer resultados. Isso é porque o problema não é facilmente controlável, e pode ser necessário recorrer a uma intervenção cirúrgica que o poderá resolver definitivamente – simpatectomia torácica.

Porque coramos nós

SimpaticectomiaTodos coramos normalmente quando estamos nervosos ou perante situações sociais de grande importância. A razão para isso é a activação do sistema nervoso simpático, responsável por preparar o nosso organismo para situações de perigo e stress elevado. Essa preparação passa pelo aumento da pressão sanguínea e do ritmo cardíaco, além do aumento da concentração sanguínea de açúcares e gorduras para maior disponibilidade energética.

Este mecanismo inteligente e complexo acompanha a humanidade desde sempre e é fácil compreender que perante uma situação de perigo, o corpo possua meios de capitalização dos seus recursos energéticos e musculares para o caso de ser necessário lutar ou fugir de um adversário. Ainda não se compreende completamente porque surge o rubor facial, mas estipula-se que será precisamente um resultado dessa hiper-reactividade dos mecanismos de resposta ao stress.

Mas perante estas situações, quando este mecanismo funciona normalmente, é, na grande maioria dos casos, possível aprender a controlá-lo. No entanto, alguns indivíduos são incapazes de o fazer: mesmo quando não se sentem nervosos ou a situação não é percepcionada como importante, o rubor facial instala-se e pode levar a um sentimento de vergonha e desconforto que, gerando mais ansiedade, agrava o flushing facial.

A verdade sobre esta reacção incontrolável é que não se trata de uma questão psicológica que possa ser controlada mentalmente. Estamos perante uma efectiva disfunção do sistema nervoso simpático que se activa excessivamente e cria uma resposta exagerada sobre a qual o indivíduo tem pouco poder. Trata-se efectivamente da mesma sobreactivação que provoca o suor excessivo ou hiperidrose.

A simpatectomia é a única solução?

Como o rubor social pode agravar-se mesmo perante estímulos diminutos e em consequência da nossa percepção de que estamos a corar sem o desejarmos, muitos indivíduos procuram solucionar parte do problema através de terapia comportamental que lhes permita controlar a resposta emocional.

A simpatectomia torácica é o mesmo procedimento cirúrgico que permite curar ou atenuar a hiperidrose das mãos (isto, é, transpiração excessiva) e consiste na interrupção dos sinais nervosos ao longo dos troncos simpáticos, mais especificamente nas suas ramificações torácicas.

O procedimento em si é simples e seguro para o paciente. A intervenção é realizada sob anestesia geral, de um modo minimamente invasivo, por toracoscopia. São realizadas duas incisões, que tipicamente possuem dimensões inferiores a 1cm, na axila. Através de uma das incisões é introduzida a câmara que nos permite ter a visualização da cavidade torácica. Na outra incisão é introduzido o dispositivo que permitirá interromper, por cauteterização, as fibras nervosas. A simplicidade do procedimento, eu implica habitualmente 1 dia de internamento, permite uma rápida recuperação do paciente que pode adoptar a sua vida normal em 3 ou 4 dias.

Apesar da polémica que esta intervenção muitas vezes gera e dos potenciais efeitos adversos, a simpatectomia é altamente eficaz e tem  elevadas taxas de satisfação. Diversos estudos têm estimado melhoria na qualidade de vida em 75% a 90% dos indivíduos num período de vários anos após a intervenção. A recorrência dos sintomas parece não exceder 1% no primeiro ano, segundo os estudos veiculados pelo National Institute for Health and Care Excellence.

O rubor facial pode ser tão intenso e limitante que condiciona a sua qualidade de vida e o correcto desempenho das suas funções profissionais. Nestes casos extremos, a simpatectomia pode permitir-lhe retomar uma vida normal e plena.

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